quarta-feira, 12 de maio de 2010

"Êta família! ..."


Bem, dia das mães passou e esse post não será mais um daqueles que tentam comprovar que minha mãe é a melhor do mundo (porque não é). Até porque eu odeio esses clichês, e dia das mães se encaixa perfeitamente nisso quando te faz lembrar que a pessoa que te deu a vida é alguém especial, por que você esquece disso nos outros 364 dias do ano.
O interessante dos feriados "familiares" (e nisso entra dia das mães, dia dos pais e natal), não é pela a data em si, mas sim pela capacidade de reunir/unir as familias, o que deveria ser mais comum, só acontece devido a esses feriado. Não consigo pensar em passar esses dias com um amigo por exemplo, mas eu também não consigo entender esse fingimento de família unida só nessas datas. Como uma típica suburbana que sou, reunião da família significa peculiaridades maravilhosas que fazem entender o conceito (que acabei de formar) de suburbaneidade, nesse conceito entra:
  • conversas sempre aos gritos
  • piadas de português e sexo
  • assuntos "polêmicos" sendo debatidos após muita cerveja na mente como política, religião e futebol.
  • Excesso de comida (todas as tias fazem um prato de comida diferente)
  • Brincadeiras com crianças do sexo masculino com idade inferior a 3 anos; "Vou pegar esse piru hein?"
  • Conversas com você (jovem na faixa dos 15 aos 25) no estilo "É um absurdo essas meninas de hoje em dia, fazem sexo com qualquer um". "Isso, estuda mesmo para garantir um futuro". "Nossa te peguei no colo, como você cresceu hein.. como era levada".
Descrevi um cenário, que eu pelo menos considero, típico de Brasil. Motivo para o seriado A grande Família ter feito tanto sucesso nos anos 70 (durou mais de 15 anos), montarem uma releitura atual e fazer tanto sucesso de novo é o reconhecimento do público com os personagens. Vai dizer que ninguém conhece uma mãe zelosa como a Dona Nênê, que ninguém tem um parente 171 como o Agostinho, que ninguém tem um tio/pai fresco e chato como o Lineu Silva, que ninguém tem um primo "vagabundo" e dependente da mãe como o Tuco (esse é o meu caso), uma vizinha/amiga doida pra desencalhar como a Marilda, e por ai vai. Personagens comuns no cotidiano de bairros de classe média carioca, e posso garantir com firmeza que ai que se encontra nossa identidade e brasilidade.
Acho linda essa verdade sub-urbana, e está em mim esse espírito, não quero e não há como fugir disso.

Um comentário:

  1. "Nossa te peguei no colo, como você cresceu hein..."
    putz...já ouvi muito essa frase nessas reunioes familiares!!!
    huaahauaaa

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