segunda-feira, 14 de junho de 2010

E agora, Jorge José?

Sabe aquele ser que tem toda força dentro de si, aquele que não deixa ninguém se aproximar, por que não necessita. Ele tem em si tudo que precisa. Indiretamente isso o afasta das pessoas, e as pessoas só tomam consciência de sua fragilidade em momentos de extrema debilidade, neste caso de saúde, porque o emocional não é nem levado em consideração por pessoas como ele, o típico machão. Por isso não demonstra carinho, só fala grosso e dá ordens. É eu sei... sou igual, a típica durona, era mais prático culminar a distancia do que qualquer sentimento de afeto.
Quando era criança ele era o exemplo, tinha todas as respostas, tinha todo o caminho imaginado pra você, mas você começa a questionar, brigar, se rebelar, afinal quer decidir o seu próprio caminho. Queria seu orgulho por ter caminhado pelas próprias pernas, mas perceber que não pode ter esse orgulho é algo terrível. Então, passa para uma outra etapa; a indiferença, porque buscar sempre respeito e orgulho, sem ser pelo o caminho determinado por ele, era o mesmo que dar murro em ponta de faca. Ah, mas você já tá crescidinho, já sabe o que é certo ou errado, mas ele não sabe disso, porque o errado dele era o seu certo, e vice-versa. Não sei se era mesmo conflito de opiniões ou simples implicâncias rotineiras, por que é o hábito implicar. Esse conflito de gerações/implicâncias/brigas sem fim não pode resistir agora, penso que não há mais tempo pra isso...
O que deu errado? quando as implicâncias e brigas, que seriam normais, se tornaram uma ferida grave, profunda que resultou em traumas na vida das pessoas? Seria culpa da bebida? orgulho próprio? Desamor? Culpa minha? Antes era a imaturidade minha, e agora é o que? Não tem como voltar no tempo e dizer; -Eu arrumo a casa, pode deixar; -eu como esse cachorro quente com ketchup que você comprou, apesar de não gostar de ketchup; -Eu aprendo a desenhar com você; - o violão é nosso; -eu volto mais cedo da faculdade pra você não ficar me esperando na rua; - Você não precisa comprar uma TV de LCD pra eu ter orgulho de você, te acho foda dessa maneira.
Mesmo de forma indireta e de longe (apesar de tão perto) sempre soube que você estaria ali. Como eu sempre fiz pirraça e você sabe disso, a minha pirraça agora é pra fazer você ficar aqui, e não para pagar minhas contas, mas para me fazer perceber que sua "figuração" não era figuração, era papel fundamental na minha história, eu só não percebia isso.
Você não vai ler isso, afinal eu não te ensinei a usar o computador que você tanto queria. Ao invés disso eu preferi te taxar como ignorante e ir atrás de tudo que você achava errado. Sua forma de falar "NÃO PAGO!" era pra dizer: não quero se cogitado apenas em problemas financeiros, também quero atenção e carinho, outra coisa que não percebi.
Aos poucos me tornei um robô, tentando se livrar a todo custo das dores emocionais que pareciam não ter soluções, queria sair correndo, sair logo de casa era sempre meu maior desejo de criança/adolescência/vida adulta e ficar longe do que me fazia mal. Me escondia atrás dos amigos, mas agora tá me fazendo mais mal ainda pensar que posso estar longe pra sempre. Fugir como? Quero sair correndo dessa situação e imaginar uma vida com uma família feliz igual a um comercial de margarina. Será que consigo? É isso, FIM!

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