Pode até achar estranho eu pensar em suicídio em um momento em que beiro a depressão. Você pode até ficar preocupado com isso, mas estive pensando no assunto. Estou lendo um livro que tem um personagem que eu diria como um suicida de espírito. Aquele cujo o ânimo para os afazeres rotineiros não existe, há a enorme descrença no futuro e em um mundo melhor, o eterno nojo da vida burguesa, cercada de todas as características mais repugnantes que os seres humanos podem mostrar, porém também é um meio de onde não se consegue sair. Então o que resta? O suicídio... E acho muito justo, cansa viver "dando murro em ponta de faca". Enfim, pensando sobre, isso pensei em... (calma minha gente, não vou me suicidar) imaginar como seria essa minha despedida do mundo. Ultimamente não ando preservando muito minha vida, e caso eu morra daqui a 5 minutos pelo menos pude dar minhas considerações finais.
"Enfim, aqui estou eu. Depois de uma vida (não sei bem definir uma característica para ela agora), diria que, 21 anos de entretenimento. Me vou, sem sabe se com o dever cumprido, sem saber se existe mesmo dever a ser cumprir, e se sim, sem saber qual seria esse dever que eu deveria cumprir. Mas vou também tranquila, como eu aprendi a ser com o tempo. Sem esperar muita coisa, há não ser as coisas que acontecem. Quando parei de ver a vida como um filme da sessão da tarde muita coisa ficou claro, as coisas acontecem e não há tempo para lamentações. Aos que ficam, que chorarão por mim, sabe sei lá porque, por saudades, por tristeza, por eu ter ido cedo, por esperar que eu tivesse mais coisas ao oferecer com o tempo, só peço que continuem e lembrem de mim como alguém que transmitiu algo de bom. Pensar em uma despedida é sempre muito complicado, apenas posso dizer que to bem, tá tudo certo (e eu sempre me preocupando em não preocupar, e trazendo sempre soluções para acabar com a porra toda).
Ao meus caros companheiros de rotina, só posso me desculpar pela minha acidez, o mundo em si já é ácido, por tanto mais natural que se adicione acidez na vida, porém a acidez é só superficial para esconder a tremenda fragilidade que a acidez do mundo não me permite mostrar sempre, ainda sim, obrigado por não desistirem de mim.
As minha companheiras do passado, passou né, e digo isso com um pesar, pois se tive um passado feliz tem grande parte tem haver com todas vocês, por isso vou com uma enorme nostalgia da escola, adolescência, e todas as minhas primeiras vezes, no qual vocês estavam presentes.
Aos meus amigos de loucuras, só tenho a dizer: obrigada por me libertar! Não consegui me tornar tão livre quanto queria, porém ao menos eu tentei, e ia tentando me libertar cada vez mais, livre de todas as amarras um dia ficaria pronta para viver de verdade, pois é mais não deu tempo.
As vezes faz bem retornar ao passado com músicas, fotografias, e lembrar o quanto se tinha sentimento em cada detalhe, mas tudo ficou complicado quando o sentimento pelas coisas deixou de existir, infelizmente nada faz mais sentido (se é que um dia teve), então pra que insistir? Hoje só penso nos erros que cometi e no que eu deveria ter vontade de fazer e não fiz, por orgulho, timidez, ou sei lá o que.
Não tomamos aquela cerveja gelada em um boteco bem sujo como eu queria fazer quando eu ficasse mais velha e mais amável, você foi embora antes que minha raiva adolescente passasse, e isso me dá raiva as vezes viu, ainda mais por ter me abandonado em um mundo onde ninguém mais acredita em mim como você acreditava, você deixou um fardo duro nas costas, e tem total ligação com o meu desanimo, pois é, lá vai eu te dando trabalho outra vez, mas prometo ser a última. Se houver outros mundos após a morte, então posso ficar te dando trabalho nesse outro mundo? Porque o mundo aqui perdeu a cor sem você para me ajudar a pintar, nem sei mais que tintas usar, onde passar primeiro a cor azul, o amarelo, o vermelho, e de repente ficou tudo preto.
Já que a fuga com a cerveja não adiantou, tentei uma opção mais hard core, acho que deu certo né. Porque se meu brilho foi embora o que iria me fazer continuar, persistir, tentar, superar? pra que? As possibilidades se findaram e aqui eu findo essa carta e despedida do mundo. Ao mundo só me resta dizer que eu tentei melhorar as coisas por aqui, juro que tinha esperanças como um frescor juvenil, uma ânsia de viver, que passou. E mesmo com toda raiva rotineira, eu tentava semear o amor. Com muito amor e dor no meu coração, porém sem vontade de espalhar esse amor, me vou. O mundo não merece, e não me merece. Adeus!"
Bem, seria mais ou menos por ai.. Mas felizmente (ou infelizmente) minha fuga será apenas com as drogas lícitas, talvez horas na terapia, muito chocolate alpino para me fazer suportar os dias. Suicido é um ato de coragem e eu sou muito covarde para comete-lo. Fiquem tranquilos! Vou continuar tentando ficar feliz nos próximos posts. Adeus.. eu volto hein..