segunda-feira, 14 de novembro de 2011

À noite

À noite por si só é bela e poética. Para muitos, a escuridão, vinda com o cair do sol, é motivo de agonia. É recorrente a ligação do profano com a noite. Enquanto que emergidos pela luz solar estamos "iluminados". O termo “iluminado” como algo meramente divino, por tanto oposto a escuridão/profano. Sem esta luz, encontrá-se tudo aliado ao, como eu disse, profano. Mas a valorização do dia também se remonta na sociedade capitalista. São nas horas do dia que se trabalha. Logo, o dia se valoriza, agora não pelo seu valor divino, mas sim pela nobreza ao trabalho que ocorre na parte do dia. A hora comercial se equivale à hora do labor, por isso o dito popular, associando a moral cristã com os valores modernos moldados pelo capital (ambos sempre andaram juntos em grande parte da história ocidental, mas isso é outro papo), “deus ajuda quem cedo madruga”. Por tanto, a imoralidade, o errado, se alia a escuridão da noite, assim como na noite se encontram aqueles a margem do sistema, malandros, mendigos, prostitutas... aqueles cujo não há necessidade de utilizar a noite como lugar de descanso do trabalho diurno.

Preconceitos ainda são enraizados sobre a noite e seus apreciadores (nisso eu me incluo). Esquecemos que os avanços tecnológicos favorecem a utilização da noite. A utilização da energia elétrica favoreceu essa sociedade indutrio-capitalista (se é que esse termo existe), assim como a ampliação do comercio, cujo atendimento se estende a noite. Há uma intensa demanda por lazer noturno, creio que tende a se ampliar cada vez mais. Nossos adolescentes já cultivaram a cultura de "vida noturna badalada".

Para mim a noite perpassa qualquer pensamento filosófico ou explicação histórica, é a cima de tudo uma sensação, e por isso, suficientemente poética. Na noite há belezas que o dia esconde, essa afirmação parece ser contraditória, já que o dia “ilumina”, mas o excesso de luz nos cega. Os olhos cegam nossos instintos e sensações. A sociedade moderna, veloz, agitada, nos exige toda atenção durante o dia. As práticas são quase que mecânicas para suprir todas as exigências, e a noite é um momento onde nada pode ser feito, apenas esperar o próximo dia para que todas as preocupações possam ser supridas. Então, obrigatoriamente, a noite é um momento de relaxar (entenda o relaxar como algo individual, pode dormir, gozar, beber, ler, e etc.), mas também são horas únicas de reencontrar os sentidos, e por isso a noite é mágica. O barulho dos carros desaparece, a quietude é instaurada, o calor diminui. Dependendo de onde se mora, é o momento onde os grilos cantam, que as plantas exalam seu cheiro, ou pelo menos é o momento onde nós paramos para sentir esses pequenos suspiros da natureza em meio a "urbe". Não se esquecendo do símbolo máximo da noite, a lua, que sua beleza por si só já desfaz qualquer necessidade de definição. Ou se você mora em uma grande cidade é o momento onde se ouve barulho sim, mas de gargalhadas em algum bar próximo, felicidade se mostrando gratuitamente (ou quase). Ainda que seja o momento em que você pode se sentar na frente do computador e escrever qualquer baboseira para um blog, ainda sim a noite será um momento só seu. Boa noite.

domingo, 24 de abril de 2011

Excesso de expressão


Utilizo todas as redes sociais, todos os sites de relacionamentos: twitter, facebook, orkut. Já sai do netlog, Hi5, e semelhantes. Se antes a reclamação de parcela da sociedade era a falta de liberdade de expressão, agora acho que sofremos com o excesso. Muitos meios para se expressar, mas o que dizer? E não fujo dessa questão, fiz esse blog com o intuito de me expressar, mas agora mesmo chego a conclusão que não disse nada de realmente inovador nesse blog, e realmente não tenho nada demais a falar a não ser meus devaneios, dúvidas rotineiras, nas quais, são problemas que apenas interessam a mim. Sofro do mal da humanidade, a eterna necessidade de falar e a pouca paciência em ouvir. Um ano depois de ter esse espaço, percebo que nenhum dos meus objetivos foram alcançados. Enfim, apesar de reconhecer minha falha, vou permanecer tentando utilizar esse espaço para algo produtivo, afinal reconhecido o problema, vamos resolvê-lo.
Poderia entrar em um debate filosófico sobre essa necessidade de se expor tanto tempo, daí ínumeros sucessos televisionados como os realitys shows, enunciação dos afazeres diários na internet... O que é assustador, não é essa tamanha liberdade em se dizer o que pensa, é concluir que não se pensa. Não me coloco em um patamar elevado, mas uma das poucas cientes de se precisa construir "sustança" no meu EU interior.
Então, vamos ler, vamos nos informar, vamos aprender a escrever (um dos meus objetivos nesse blog), vamos nos aprofundar em todos os assuntos, vamos conhecer o que acontece no mundo, e vamos fazer isso tudo em apenas uma vida, e ainda curtir nossas futilidades. É isso, quero voltar aos assuntos sérios ou a temas divertidos, pela milésima vez prometo isso, só que agora irei cumprir! beijos!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Quando cortar o cordão umbilical?

Assunto recorrente em todas as salas de aula, ou pelo menos onde os alunos onde são vestibulandos: DESEMPREGO. Assunto recorrente para todos aqueles que tem a obrigatoriedade de conhecer os problemas do mundo, e assim fazer sua redação, e assim passar no vestibular, porque tem que entrar na faculdade informado, tem que possuir conhecimentos básicos sobre a realidade que o cerca, coisa que não costuma acontecer no colégio. Estou falando de um grupo de pessoas, abençoados por Deus, que não conhece essa triste realidade e tem suas vidas pautadas em objetivos momentâneos e superficiais, sustentadas com o conforto da renda familiar. Isso por serem jovens, serem de uma classe privilegiada. ACREDITO que um dia esses jovens em algum momento, ou por pressão familiar ou por ironia do destino (ou nunca), vão ter que sair de bolha criada por suas famílias e encarar a realidade, isto é traçar: seus objetivos para e encarar, no futuro, (ou não) os desafios que provavelmente irão aparecer. Dentre os desafios, volto ao tema citado a cima: o DESEMPREGO. E sair de uma questão meramente didática para uma situação sentida na pele.

Agora mudo de tema, e entro em outra questão, você sabe o que você quer para a sua vida? Fazer o que dá dinheiro ou o que te dá prazer? Está atendo ao que mercado de trabalho exige ou quer fazer um bem para a sociedade? O individual ou o coletivo?

1º dúvida: Como decidir algo que vai perdurar por toda sua vida se a própria vida é completamente instável?

2º dúvida: Nem sempre o prazer é a formula mágica para o sucesso profissional, você pode ser ruim no que você faz com prazer, ou pode ser muito bom mas suas qualidades não interessam ao mundo. Assim como fazer bem o que é ruim. Como decidir isso?

3º dúvida: Mercado de trabalho está ai exigindo de você qualificação, inúmeras línguas, objetividade, genialidade e todo seu esforço, tudo isso resulta conforto financeiro e um futuro tranquilo. Precisa se destacar, se qualificar e escolher a carreira do momento. E o que eu faço se eu não concordar com essa mecanização do ser humano? Bem, essa eu tenho a resposta: FODA-SE!

4º dúvida: Essa é a mais difícil de todas. Pensar em se adaptar ao mundo para conseguir benefício para você e sua família (com o tempo sua família vai precisar de você, e essa é a parte triste), ou continuar com o sonho delirante de fazer dessa joça de mundo um lugar melhor para viver, e aceitar estar fadado a dependência financeira dos outros para manutenção da sua ideologia? (sistema é cruel para quem é bonzinho). Ou aceitar que você não mudará nada, mas que quer poder escolher (DE FATO) a sua vida, e isso inclui tranquilidade, e não o estresse urbano. E aí? Já definiu a sua ideologia? E como consequência virá sua vida.

O ESTAR na bolha protegida pelos pais é a melhor fase que temos (tem pessoas que por nem essa fase consegue passar, e outras que vivem para sempre nessa fase). O SAIR da bolha pode ser uma escolha ou uma necessidade, mas em algum momento nos deparamos com questões que deixam de ser meramente didáticas, acho que é esse o grande momento de transição entre a infância e a fase adulta. E sem sombra de dúvidas, um momento beeem difícil... Beijos!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Adeus ano velho, Feliz ano novo!

Ta ai 2010, acabou! ups está acabando... Não tenho como descrever esse ano com uma palavra diferente de INTENSO. Tudo tão intenso, tudo tão forte, tão vivo, tão triste e tão feliz. Começou de forma mágica e louca (já começou diferente e no desenrolar do ano me surpreendia a cada dia), e sem parar para pensar muito porque ai chegava uma outra onda pra me levar. Amores mais intensos, perdas mais intensas, fortalecimento de amizades, mudança de rumo e destino. Por isso que fico curiosa para saber o que me resta para 2011, que se for no mesmo ritmo, eu não vou aguentar!
Para o ano que vem só quero e admito coisas boas. Só quero manter as coisas boas que criei, e cultivar novas! Agora só volto aqui ano que vem! um Beijo!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Então é Natal...


Como diz a música da Simoni, é Natal e dele não se pode fugir. Bem, não vou começar com um blá blá blá anti-consumista, anti-religioso, no qual eu acredito, porém ninguém vai me ouvir mesmo, nem terá saco para ler. Então, ao invés de entrar em algum aspecto polêmico, prefiro tentar enxergar o aspecto família. Como mesmo já cansei de dizer, sou contra datas comemorativas, e o Natal é o sinônimo real de toda hipocrisia de TODAS datas comemorativas. O Natal é A data comemorativa do ano. Tirando o aspecto hipócrita, de amar uns aos outros apenas porque jesus vos amou, acredito que os sentimentos (montados e produzidos em prol de um mercado consumidor) são nobres, porém que deveriam utilizar todo o ano. Mas, tendo uma família tradicional impossível fugir dessa cilada, bem ou mal é o momento onde sua família se reúne e você finalmente conhece aquele o filho do primo de 3º grau da sua mãe. As pessoas esperam o natal acontecer, para abraçar umas as outras, para se importar com o próximo, para desejar sentimentos felizes, e é claro para encher a pança de comida, e os cornus de cerva. Precisamos de uma desculpa para amar o próximo, só porque Jesus nos amou!
A graça do Natal é apenas a boa idéia de ter pessoas próximas, ou não tão próximas, perto de você, preparar um jantar e ter uma noite agradável, mas a partir do momento de damos a legítima importância para as pessoas e não para uma data, o Natal pelo Natal passa despercebido. Por dar valor das pessoas (ou passar a dar agora), que pensei que seria um dia complicado, mas felizmente não foi e eu pude contornar a situação de um dia tedioso para um dia singular. Então é isso, não desejarei um Feliz Natal, porque isso é coisa de cristão, prefiro me limitar a um; Boa noite!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

domingo, 5 de dezembro de 2010

Um viva a ignorância pública


Depois de tanto tempo longe aqui estou de volta, mas infelizmente com um assunto não muito bom. Não posso deixar de comentar os últimos acontecimentos no Rio de Janeiro, e volto com a mesma sensação do último post, uma eterna desilusão de um mundo melhor. Lá vai o estado promover a violência, a porradaria, e pior com uma argumentação de "limpar a cidade" do mal. Qual é o nosso maior inimigo? A carta do C.V. deixava claro, o inimigo está de terno e gravatas, por isso pergunto, qual é a grande guerra? Volto a dizer, é entre ricos e pobres. A classe pobre, esquecida pelo Estado, sem políticas públicas eficientes, tentam sobreviver, as vezes no mundo ilegal do tráfico, enquanto os fornecedores/usuários, estão de terno e gravata, ipod, carro importando. O que aconteceu no Rio de Janeiro foi um desacordo entre duas partes, comandos das drogas e o estado, e quando não concordam o Rio entra em guerra. Um sistema cheio de falhas em sua estrutura, deixa a margem grande parte da população, e enfia a porrada em quem passar pela frente. O acordo foi rompido em prol de montar um Brasil pra gringo ver (Olímpiadas, Copa do mundo).
Volto ao início do século XX com o pensamento de país atrasado, mas é sim, e não por suas malezas, mas por sua forma de pensar, por ter uma população que compactua com tais fatos. Ainda quero a definição exata sobre quais são os tais bandido que a TV alarda e julga merecer levar chumbo. Isso é tentar manipular o que a realidade do dia-a-dia nos mostra. Fico muito triste e confusa, imaginar que se tem que escolher um lado, os explorados ou os exploradores. Em uma sociedade estamental, como a nossa, mobilidade social ainda é apenas através de casamentos, sorteios na megasena, ou lucrar montando algum escândalo para aparecer na mídia, ah e é claro, pelo trabalho no tráfico de drogas, armas, animais. Essa cultura do "o melhor que vence", do "malandro sobre os otários", do "dedicado versus os incompetentes", realmente não é pra mim. Ainda penso em um mundo igualitário, tanto de oportunidades, como em espaço livre para se pensar e falar. Enfim, sem me prolongar muito, até porque o assunto já se foi e voltemos as nossas realidades figuradas de perfeição (as dos outros, a minha continua triste). Tenho tanto argumentos fortes e consolidados sobre como isso tudo está muito errado, mas já não tenho nem ânimo de expor.. eu desisto.. Beijos