Estava eu, feliz e sorridente, voltando para casa, viajando em meus pensamentos. A viagem é longa por isso me transporto para outro planeta durante uma hora e meia do centro para Anchieta. Quando escuto um "- Da licença". Ignorei como sempre faço, e voltei a pensar na morte da bezerra. O ser humano do meu lado coloca um casaco e dorme (era ônibus de ar condicionado). Quando volto ao planeta terra, percebo o ser do meu lado. Olhei de novo, pensando bem, aquele ser não era tão desconhecido assim. Perai, não era desconhecido como já foi um "grande" amiguinho. Sim, meu vizinho, sabe aquele que você brincava de pique-esconde enquanto seus pais tomavam cerveja e falavam de futebol, então, aquele que conhece sua vida interinha, vive do seu lado, está sempre presente no mesmo ambiente que você, porém você mal consegue lembrar o nome. Olhei novamente para ter certeza, sim era o mesmo menino que um dia teve alguma importacia no meu limitado ciclo social da época e hoje é um semi-conhecido de "ois" aleatórios. Reparando bem, as pessoas mudam né, como não pude reparar nessa transformação de menino/homem durante todo esse tempo? O que que aconteceu para que uma pessoinha que eu me dava tão bem com o tempo se tornasse um insignificante? Ai começa os "e se..". E se.. eu tivesse reparado mais nele na época do princípio da adolescência, poderia ter se tornado meu primeiro namoradinho, meu primeiro amor, meu primeiro... Enfim, alguém mais concreto em minha vida. Comecei a pensar, que o sentar ao meu lado, pra ele, não foi tão aleatório assim. A viagem acabou, soltamos no mesmo ponto, e aquela breve troca de olhares confirmou a idéia do "se..", mas já era tarde. Os primeiros já passaram em minha vida e ele voltou a ser insignificante.
Como sempre outra oportunidade perdida dentre tantas que já perdi. Se prender no "e se" é sempre muito tenso, imaginar tudo que poderia ter sido e não foi, por simples falta de dedicação sua (que a gente prefere culpar o destino), tanta felicidade evitada. Uma viagem que menospreza totalmente o presente e todas as oportunidades que foram sabiamente aproveitadas. A gente nunca sabe no exato momento qual será mesmo a escolha certa, também se soubesse não teria tanta graça..
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