quinta-feira, 22 de abril de 2010

Utilizando a retórica para combater a retórica


Estava pensando em analisar aqui um tema muito importante para nós universitários brasileiros: o poder da retórica. Calhou que enquanto formulava discussões sobre esse tema, Brasília fez 50 anos. Não tem como separar o poder da retórica com poder político. É através da retórica que se faz um político em qualquer lugar no mundo, e em Brasília não seria diferente. Como historiadora que sou, posso fazer diversas análises de como a utilização da retórica foi de importante para os principais fatos da história brasileira. O poder de Juscelino Kubitschek de argumentar a necessidade da criação de uma cidade no meio do nada, teoricamente seria o centro do país, para se tornar a capital, pode ser um exemplo.
Como seres humanos, temos o poder do logos; do verbo. É isso o que nos diferencia dos animais: a razão (as vezes penso que razão é essa). O homem seria naturalmente um animal político. A utilização desse artifício começou lá nas assembléias da Grécia Antiga e se perpétua até os dias de hoje.
Com um incrível medo de que esse post vire uma aula de história vou me limitar a questionar o poder da retórica tanto no passado como no presente. O que seria do Brasil se não fosse a retórica? Tentam nos convencer que o brasil foi "descoberto" a exatamente 510 anos por Pedro Álvares Cabral, olha a retórica influenciando pensamentos. Nosso principie real, D. Pedro de Alcântara, era tão astuto a ponto de promover uma "revolta" contra sua própria família, a fim de manter os interesses da mesma. Os famosos "independência ou morte" e "Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que FICO", entraram para história do Brasil porque D. Pedro I sabia utilizar perfeitamente a retórica para a manutenção de seus interesses. Seu filho também não ficou atrás, o único governante deste país que ficou mais 40 anos no poder foi D. Pedro II, haja retórica e jogo de cintura. Outro exemplo é Getúlio Vargas, em período de segunda guerra mundial se manteve apoiado pelos divergentes setores da sociedade brasileira, assim conseguiu ficar 15 anos na presidência e depois retornou ao poder nos braços do povo. Até em sua morte teve uma brilhantismo enorme do seu poder de retórica com a conhecida frase "Saio da vida para entrar para história". Não se pode esquecer de nosso "querido" presidente, o grande comunicador, Lula. Suas metáforas tem o poder de atração em seus argumentos, esse seu poder que o fez ser eleito e reeleito, e talvez será o grande causador da eleição de Dilma Roussef para presidência da República. Claro que esta é uma análise superficial de alguns personagens conhecidos da história, existe uma complexidade enorme na interpretação da atuação de cada um desses nomes.
Concordo plenamente quando se diz que todo ser humano é um ser político, pois todos nós temos o poder de formular opiniões e argumentos e assim o poder persuadir o próximo direta e/ou indiretamente de que sua opinião é a mais coerente, e também concordo que o ato de fazer política, utilizar o logos, se dá no cotidiano e não apenas nas esferas de instituições políticas. Em uma mesa de bar, qualquer que seja o assunto, sempre que houver dois pólos divergentes em um mesmo assunto, terá sempre aquele que se sobressairá na opinião do outro.
Não que eu seja contrária aos que possuem esse dom. Ao meu ver, antes de termos uma boa argumentação deveriámos ter boas idéias. Não necessariamente um bom argumentador tem boas idéias, vide muitos políticos em Brasília, assim como um péssimo argumentador teria idéias ruins. Enfim, acredito que o que deveria prevalecer são as boas idéias, deveríamos prestar atenção na legitimidade de uma idéia antes de nos levarmos pelo melhor argumento. A preguiça de parar para pensar ocasiona adoção de idéias, pensamentos e ideologias por vezes fajutas que tem com o único intuito aproveita-se de sua inocência. Conclusão: é de vital importância termos opiniões próprias sobre os mais variados assuntos, para não cairmos na conversa de um bom orador. FIM!

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