sexta-feira, 9 de julho de 2010

Escrito pela filha do Jorginho..

Eu ainda não sei bem dizer sobre a minha reação nas coisas que aconteceram. Não sei se foi por maturidade, em saber aceita perdas. Não sei se foi por imaturidade, e não entender o quão foi essa perda, e quanto mexerá com a minha vida, e nem o quanto fará falta. Não sei dizer que foi o apego da descrença que me fez ficar forte, não esperando nada além do que seria possível ocorrer. Não sei se a ficha não caiu ainda, se vai cair, se nunca cairá, ou se já caiu. Na verdade meu sentimento ainda não é de perda, mas sim de saudade, lembrar que não vou ouvir mais o barulho que as chaves faziam em sua mão quando chegava em casa para deixar a bolsa e ir tomar sua cervejinha de todo santo dia. Lembrar que não vou ouvir mais a campanhia do hino do fluminense tocar tantas de vezes quando o fluminense ganhava algum jogo, e lembrar de que não terei mais o jornal O DIA pra ler a noite quando eu chegasse em casa, apesar de odiar tanto esse jornal. Difícil acreditar que nesse momento ele não está mais sentado no sofá da sala vendo a TV. Não vai me chamar de absoluta, nem me fazer pedidos aleatórios para poder participar de forma mais ativa na minha vida e me fazer participar mais na dele. Quem agora ficará todo orgulhoso por cada desenho bobo que eu fizer? Que acreditará em mim quando nem eu mais acreditar? Quem estará do meu lado todo feliz e contente quando eu me formar (mesmo sendo essa previsão para um futuro bem distante)? Tento imaginar se um dia se serei capaz de lembrar de tudo isso sem soltar uma lágrima, não mesmo! Esse dia não existirá, por que a saudade será eterna. Não sei dizer se algum dia, daqui pra frente, poderei dar aquele sorriso forte e bonito como antes, acho que sempre vai pairar uma sombra de tristeza, um vazio que foi arrancado e não tem como ser preenchido de novo. Bem.. agora eu serei obrigada a crescer, sem poder me prender mais no meu mundinho de saídas e bebedeiras, a responsabilidade da vida a adulta se faz presente sem ele para me proteger. Como diz a música, herói e bandido você foi, infelizmente para o muito mais que amigo não houve tempo.
O que me deixou tranquila foi saber que ele morreu em paz, com a sensação de dever cumprido. Se ele viveu em função da família, morreu de forma linda ao nosso lado. E me fez acreditar que o amor incondicional existe e pode durar uma vida inteira (se bobear para além dela, é o que dizem né). O amor dele não o deixava ter dúvidas quanto ao rumo que sua vida tomou. Se haviam problemas e tristezas, eu sei que pra ele, era também o que dava sentido a sua existência. Estar perto da gente era sua maior felicidade. Ele sabia amar, só não sabia demonstrar. Sua brutalidade era pra esconder tamanha sensibilidade, afinal era o HOMEM da casa, e sensibilidades e sentimentos são coisas pra boiolas.
Nessa última semana só consegui dormir tendo o travesseiro dele do lado, só tenho andado com sua aliança pendurada no meu pescoço (porque não cabe no meu dedo), não sei dizer o porque exato, mas não quero perder nada dele, não quero perder ele de mim. Não sinto que perdi meu pai, sinto que ele vive em mim, agora apenas em mim!


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