quinta-feira, 1 de julho de 2010

Se tenho algo de parecido com a minha mãe é a precipitação, a eterna ansiedade de conseguir saber o que vai acontecer, uma forma de se preparar para aguentar o baque. Acho muito justo, pois se você sofre por precipitação, quando acontece já não sofre tanto. Será? Será que algum momento da minha vida eu não vou sofrer com tudo isso? A verdade é que já nem sei o que é bom nesse momento, o que se deve pensar, como se deve agir. É difícil ver aquela baiana arretada (minha avó) daquela maneira, de obcenidades inocente agora nem fala, seus ohos vermelhos dizem por ela. Tenho a (péssima) mania de achar que aguento tudo, simplesmente porque sei disfarçar muito bem. Fujo do mundo através de conversas bobas, assuntos pornográficos nos botecos da vida, internet (sempre um bom meio de distração) e é claro cervejinha de final de dia para tentar acreditar que amanhã vai ser melhor. Tentar tirar dessas pequenas coisas um sorriso que não consigo ter.
A cada toque do telefone é um nervosismo, será que vai agora o tal momento que não queremos saber? Será que é a péssima notícia vindo do outro lado da linha? Por enquanto ainda é apenas um voz nervosa e tão desesperada quanto eu querendo apenas saber de mais notícias, digo de boas notícias, notícias que eu não tenho para dar. É muito amor se mostrando agora, porque antes estava totalmente escondido no baú secreto das emoções, lacrado pela frieza da rotina. Toda hora vem um me avisando da minha tristeza e não consigo fugir.
Sei do que eu não preciso, ouvir de novo :"Tenha fé minha filha, pra Deus nada é impossivel", "Tudo vai ficar bem", " Nessas horas você tem que ter força". Ok! Obrigada! Conforto pra que? Religiosos pegam no pé de seu Deus, Oxalá, Alá, ou qualquer outra divindade que faça você ter esperanças de que o pior não vai acontecer, e os põe como o responsável de tudo. Pelo menos diminui a responsabilidade dos homens, pelo menos assim você não tem vontade de matar o médico caso ele não consiga cumprir com o seu papel de salvar vidas, assim você não ter vontade de se matar ao pensar por um instante que tudo poderia ter sido evitado se tivesse reparado menos no próprio umbigo. Não preciso "me apegar" a nada para conseguir manter o equilibrio, sei que tá fora da minha capacidade de ação, então.. basta chorar.
Não queria fazer isso aqui de um querido diário, mas foi inevitável. Desculpae...

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