segunda-feira, 12 de julho de 2010

Saibamos perder...


Brasil perdeu a copa, eu perdi um pai, e assim a vida continua. Todos choram, tristes pelas suas perdas, tristes com o fim inesperado, mas ainda sim a vida continua. Ficaremos felizes um dia de novo, o Brasil com um novo campeonato ganho e eu com uma vida nova chegando, vida onde eu terei de ter mais responsabilidade, assim como o novo técnico terá de assumir a nova seleção de futebol do país. Ah.. mais a Espanha mereceu né?! E eu mereci? O Polvo vidente já tinha previsto o grande campeão, assim como os médicos já estavam desiludido do meu pai, então não foram perdas imprevistas certo? Ainda sim dói...
Assim como o Brasil, magoado e ferido pela sua perda, terá de aliviar sua dor e aceitar, devo fazer o mesmo. Perdemos, o leite foi derramado, não há como voltar atrás, ainda não inventaram a máquina do tempo.
Pensar positivo e lembrar dos ganhos, quem ganhou com a copa foi a África do sul, ganhou muito dinheiro, ganhou espaço na mídia para que o mundo olhasse suas mazelas, mas também suas riquezas. No meu caso quem ganhou? O hospital é claro, ganhou meu dinheiro, ganhou um processo nas costas, e eu vou ter que ganhar as responsabilidade de gente grande. Vamos chorar sempre essas perdas e lamentar sobre o que houve de errado, mas vamos continuar, pois a vida é isso, um dia você perde, o outro você ganha, ou perde de novo, só nos resta tentar...

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Escrito pela filha do Jorginho..

Eu ainda não sei bem dizer sobre a minha reação nas coisas que aconteceram. Não sei se foi por maturidade, em saber aceita perdas. Não sei se foi por imaturidade, e não entender o quão foi essa perda, e quanto mexerá com a minha vida, e nem o quanto fará falta. Não sei dizer que foi o apego da descrença que me fez ficar forte, não esperando nada além do que seria possível ocorrer. Não sei se a ficha não caiu ainda, se vai cair, se nunca cairá, ou se já caiu. Na verdade meu sentimento ainda não é de perda, mas sim de saudade, lembrar que não vou ouvir mais o barulho que as chaves faziam em sua mão quando chegava em casa para deixar a bolsa e ir tomar sua cervejinha de todo santo dia. Lembrar que não vou ouvir mais a campanhia do hino do fluminense tocar tantas de vezes quando o fluminense ganhava algum jogo, e lembrar de que não terei mais o jornal O DIA pra ler a noite quando eu chegasse em casa, apesar de odiar tanto esse jornal. Difícil acreditar que nesse momento ele não está mais sentado no sofá da sala vendo a TV. Não vai me chamar de absoluta, nem me fazer pedidos aleatórios para poder participar de forma mais ativa na minha vida e me fazer participar mais na dele. Quem agora ficará todo orgulhoso por cada desenho bobo que eu fizer? Que acreditará em mim quando nem eu mais acreditar? Quem estará do meu lado todo feliz e contente quando eu me formar (mesmo sendo essa previsão para um futuro bem distante)? Tento imaginar se um dia se serei capaz de lembrar de tudo isso sem soltar uma lágrima, não mesmo! Esse dia não existirá, por que a saudade será eterna. Não sei dizer se algum dia, daqui pra frente, poderei dar aquele sorriso forte e bonito como antes, acho que sempre vai pairar uma sombra de tristeza, um vazio que foi arrancado e não tem como ser preenchido de novo. Bem.. agora eu serei obrigada a crescer, sem poder me prender mais no meu mundinho de saídas e bebedeiras, a responsabilidade da vida a adulta se faz presente sem ele para me proteger. Como diz a música, herói e bandido você foi, infelizmente para o muito mais que amigo não houve tempo.
O que me deixou tranquila foi saber que ele morreu em paz, com a sensação de dever cumprido. Se ele viveu em função da família, morreu de forma linda ao nosso lado. E me fez acreditar que o amor incondicional existe e pode durar uma vida inteira (se bobear para além dela, é o que dizem né). O amor dele não o deixava ter dúvidas quanto ao rumo que sua vida tomou. Se haviam problemas e tristezas, eu sei que pra ele, era também o que dava sentido a sua existência. Estar perto da gente era sua maior felicidade. Ele sabia amar, só não sabia demonstrar. Sua brutalidade era pra esconder tamanha sensibilidade, afinal era o HOMEM da casa, e sensibilidades e sentimentos são coisas pra boiolas.
Nessa última semana só consegui dormir tendo o travesseiro dele do lado, só tenho andado com sua aliança pendurada no meu pescoço (porque não cabe no meu dedo), não sei dizer o porque exato, mas não quero perder nada dele, não quero perder ele de mim. Não sinto que perdi meu pai, sinto que ele vive em mim, agora apenas em mim!


terça-feira, 6 de julho de 2010

Ainda não caiu a ficha

Ainda não tenho capacidade para definir tudo o que penso sobre o que anda acontecendo. Esse texto condiz com 1/3 do que tenho sentindo diante da perda. O todo as palavras não conseguem definir...


"A PERDA DO PAI

Artur da Távola

A perda do pai: quem sabe vivenciá-la? Como aceitar mortal e falível aquela pessoa grande, capaz de conseguir o universo, logo ele, o provedor, abridor de caminhos pelos quais começamos a passar medrosos?

A perda do pai é a retirada da rede protetora no momento do salto. E há que saltar. É o roubo feito no exato momento em que estávamos a descobrir o melhor do mundo.

A perda do pai é a entrada no lugar-comum, é começar a ser igual a todos os que a sofrem, a ter os mesmos medos, as mesmas frases. É voltar a se emocionar com o que se desprezava: datas, pequenas lembranças, objetos, palavras e até com as manias dele que nos irritavam.

A perda do pai é o começo do balanço da própria vida, porque, enquanto vivia, era mais fácil nele descarregar alguns fracassos e culpas.

A perda do pai é o início da significação. As palavras começam a fazer um estranho e novo sentido.

A perda do pai começa a nos ensinar o valor do tempo: o que não fizemos, a visita deixada para depois, o gosto adiado, a advertência desdenhada, o convite abandonado sem resposta, o interesse desinteressado...tudo isso volta, massacrante, cobrando-nos o egoísmo. Nosso primeiro exame de consciência verdadeiro começa quando o pai morre. Nosso encontro com a morte inaugura-se com a dele. Nossa primeira noite sem proteção consciente, dá-se quando ele já não está. E nunca somos mais sós que na primeira noite em que já não o temos. O pai é o mistério enquanto vida e a revelação depois de morto. Num segundo, entendemos tudo o que, durante a vida, nele nos parecia uma gruta de mistérios. Seus objetos ganham vida, suas comidas preferidas passam a ter mais gosto, suas frases adquirem o sentido que só o tempo e a repetição outorgam às coisas.

A perda do pai dói muito! Isso é tudo. Para que querer saber por que? O pai é o eu no outro. É dois em um, santíssima dualidade a proclamar o mistério e a glória de existir, dívida que com ele temos, sem nunca conseguir pagar, o que o faz por isso mesmo, sempre, muito melhor do que nós..."

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Se tenho algo de parecido com a minha mãe é a precipitação, a eterna ansiedade de conseguir saber o que vai acontecer, uma forma de se preparar para aguentar o baque. Acho muito justo, pois se você sofre por precipitação, quando acontece já não sofre tanto. Será? Será que algum momento da minha vida eu não vou sofrer com tudo isso? A verdade é que já nem sei o que é bom nesse momento, o que se deve pensar, como se deve agir. É difícil ver aquela baiana arretada (minha avó) daquela maneira, de obcenidades inocente agora nem fala, seus ohos vermelhos dizem por ela. Tenho a (péssima) mania de achar que aguento tudo, simplesmente porque sei disfarçar muito bem. Fujo do mundo através de conversas bobas, assuntos pornográficos nos botecos da vida, internet (sempre um bom meio de distração) e é claro cervejinha de final de dia para tentar acreditar que amanhã vai ser melhor. Tentar tirar dessas pequenas coisas um sorriso que não consigo ter.
A cada toque do telefone é um nervosismo, será que vai agora o tal momento que não queremos saber? Será que é a péssima notícia vindo do outro lado da linha? Por enquanto ainda é apenas um voz nervosa e tão desesperada quanto eu querendo apenas saber de mais notícias, digo de boas notícias, notícias que eu não tenho para dar. É muito amor se mostrando agora, porque antes estava totalmente escondido no baú secreto das emoções, lacrado pela frieza da rotina. Toda hora vem um me avisando da minha tristeza e não consigo fugir.
Sei do que eu não preciso, ouvir de novo :"Tenha fé minha filha, pra Deus nada é impossivel", "Tudo vai ficar bem", " Nessas horas você tem que ter força". Ok! Obrigada! Conforto pra que? Religiosos pegam no pé de seu Deus, Oxalá, Alá, ou qualquer outra divindade que faça você ter esperanças de que o pior não vai acontecer, e os põe como o responsável de tudo. Pelo menos diminui a responsabilidade dos homens, pelo menos assim você não tem vontade de matar o médico caso ele não consiga cumprir com o seu papel de salvar vidas, assim você não ter vontade de se matar ao pensar por um instante que tudo poderia ter sido evitado se tivesse reparado menos no próprio umbigo. Não preciso "me apegar" a nada para conseguir manter o equilibrio, sei que tá fora da minha capacidade de ação, então.. basta chorar.
Não queria fazer isso aqui de um querido diário, mas foi inevitável. Desculpae...

domingo, 20 de junho de 2010

Salve a seleção? NÃO.. SALVE O BRASIL!

Época anterior a copa do mundo é uma anciosidade danada, todos atentos a convoção, as ruas são pintadas, compram-se camisas das cores do Brasil, todos esperando pelo começo do "bem amigos da Rede Globo..". Um dos evento que para o país e o coração do brasileiro. E começa o primeiro jogo, vuvuzelas nas mãos, galera reunida, amigos juntos, cerveja gelada na mão, e todos esperando ansiosamente pelo primeiro gol. Será robinho? kaká? Gilberto Silva? quem será o benfeitor que acalmará nossos corações por 90 minutos? E acontece o primeiro gol do primeiro jogo do Brasil na copa, o que marcela faz? Grita.. ÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉ isso! Olha pro lado o cachorro está assustado. Onde estão os amigos e os familiares de Marcela? Não se sabe.. não importa.. porque o jogo não importa. A breve onomatopéia soltada faz parte de um instinto "natural" de todos os brasileiros. O país sorri por causa de um jogo de futebol. Um bom anestésico para curar as mazelas da vida, porém a minha durou apenas até o final do som do ultimo É, no ISSO eu já tinha reparado na inutilidade do meu grito.
Vocês sabem com quem vocês estão falando? Com o país da seleção penta campeã de futebol. Anos da nossa história ligadas diretamente com esses 5 campeonatos vencidos. Única fonte de orgulho do brasileiro para com seu país. Só temos credibilidade como a nação do futebol e seus 5 títulos de melhores do mundo, então vamos torcer.. temos que ganhar!
E começa o segundo jogo.. hii o adversário é mais difícil. Onde está Marcela?
Longe da televisão e perto dos problemas, tristezas e mazelas de sua própria vida. Já que os 90 minutos do jogo dessa vez não foram suficientes fazer esquecê-los, nem para outro grito de ÉÉÉÉ... No máximo um levantar de sobrancelha para cada gol feito, e foram três hein. Realmente é estranho ver todo mundo em sua volta feliz e você não conseguir fazer o mesmo. Daqui a 4 anos eu tento de novo...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

E agora, Jorge José?

Sabe aquele ser que tem toda força dentro de si, aquele que não deixa ninguém se aproximar, por que não necessita. Ele tem em si tudo que precisa. Indiretamente isso o afasta das pessoas, e as pessoas só tomam consciência de sua fragilidade em momentos de extrema debilidade, neste caso de saúde, porque o emocional não é nem levado em consideração por pessoas como ele, o típico machão. Por isso não demonstra carinho, só fala grosso e dá ordens. É eu sei... sou igual, a típica durona, era mais prático culminar a distancia do que qualquer sentimento de afeto.
Quando era criança ele era o exemplo, tinha todas as respostas, tinha todo o caminho imaginado pra você, mas você começa a questionar, brigar, se rebelar, afinal quer decidir o seu próprio caminho. Queria seu orgulho por ter caminhado pelas próprias pernas, mas perceber que não pode ter esse orgulho é algo terrível. Então, passa para uma outra etapa; a indiferença, porque buscar sempre respeito e orgulho, sem ser pelo o caminho determinado por ele, era o mesmo que dar murro em ponta de faca. Ah, mas você já tá crescidinho, já sabe o que é certo ou errado, mas ele não sabe disso, porque o errado dele era o seu certo, e vice-versa. Não sei se era mesmo conflito de opiniões ou simples implicâncias rotineiras, por que é o hábito implicar. Esse conflito de gerações/implicâncias/brigas sem fim não pode resistir agora, penso que não há mais tempo pra isso...
O que deu errado? quando as implicâncias e brigas, que seriam normais, se tornaram uma ferida grave, profunda que resultou em traumas na vida das pessoas? Seria culpa da bebida? orgulho próprio? Desamor? Culpa minha? Antes era a imaturidade minha, e agora é o que? Não tem como voltar no tempo e dizer; -Eu arrumo a casa, pode deixar; -eu como esse cachorro quente com ketchup que você comprou, apesar de não gostar de ketchup; -Eu aprendo a desenhar com você; - o violão é nosso; -eu volto mais cedo da faculdade pra você não ficar me esperando na rua; - Você não precisa comprar uma TV de LCD pra eu ter orgulho de você, te acho foda dessa maneira.
Mesmo de forma indireta e de longe (apesar de tão perto) sempre soube que você estaria ali. Como eu sempre fiz pirraça e você sabe disso, a minha pirraça agora é pra fazer você ficar aqui, e não para pagar minhas contas, mas para me fazer perceber que sua "figuração" não era figuração, era papel fundamental na minha história, eu só não percebia isso.
Você não vai ler isso, afinal eu não te ensinei a usar o computador que você tanto queria. Ao invés disso eu preferi te taxar como ignorante e ir atrás de tudo que você achava errado. Sua forma de falar "NÃO PAGO!" era pra dizer: não quero se cogitado apenas em problemas financeiros, também quero atenção e carinho, outra coisa que não percebi.
Aos poucos me tornei um robô, tentando se livrar a todo custo das dores emocionais que pareciam não ter soluções, queria sair correndo, sair logo de casa era sempre meu maior desejo de criança/adolescência/vida adulta e ficar longe do que me fazia mal. Me escondia atrás dos amigos, mas agora tá me fazendo mais mal ainda pensar que posso estar longe pra sempre. Fugir como? Quero sair correndo dessa situação e imaginar uma vida com uma família feliz igual a um comercial de margarina. Será que consigo? É isso, FIM!

domingo, 30 de maio de 2010

Não tenho assunto pré-programado dessa vez, até tenho mas não vejo o porque de escrever aqui. Tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, que parece que to vendo minha vida passar pela janela do ônibus. Percebo que aquela angústia de conhecer o mundo passou, sabe aquela sede infantil de viver tudo que se tem pra viver e um pouco mais. Ando triste? não, ando muito feliz e muito mais feliz que antes, e acho que essa é uma das fases mais felizes da minha vida. Sei lá porque mas me vejo diferente a cada 5 minutos que passam. Nada dura por muito tempo, nem mesmo que eu penso sobre o mundo e o que penso de mim mesmo. Por isso nem sei o que faz sentido escrever nisso aqui hoje...
A angústia agora é ao contrário, não quero mais conhecer o mundo, não quero mais descontruir, nem provocar nenhuma ruptura (não que não precise, só cansei), quero construir o mundo, pelo menos o meu mundo e sentir que tudo não está passando em vão (por mais que saiba que não, as vezes parece). Só que o que construir? Como construir? Porque construir? E com quem construir? Tantas perguntas sem respostas que continuo na saga por nada, ta bom assim.. Tô feliz!

(Sem figurinha, sem texto justicado, sem título, sem compostura e nem nexo nesse post)